Sexta-feira, 15.10.10

Na próxima semana vou gozar os últimos dias de férias deste ano de 2010.

- Então, rapariga, vais de vacanças? - perguntou o maior cusco cá do serviço.

- Sim, decidi dar-te uma alegria, durante uma semana não me vais pôr a vista em cima nem ouvir a minha voz maviosa...

- Mafiosa ... ? - (risinho idiota)

- Não, mafiosa é a tua tia... - disse eu sem tirar os olhos do teclado e do trabalho que estava a fazer. - Olha lá, isto é um interrogatório?

- Só gostava de saber para onde vais...

- Pois ... "só" isso, não é? E porque razão?

- Porque como eu sei que já andaste por todo o território nacional ...

- ... e Ilha da Madeira - interrompi eu depois de fazer "comando+print" e me dirigi à impressora,

- ah, pois e Ilha da Madeira, penso que já deves andar a repetir passeios. Não é chato?

- Não, tu é que és chato e ver a tua carinha todos os dias durante 8 horas é que é repetitivo - disse eu, soltando um "chiça" ao ver que o trabalho não tinha saído como eu queria.

- Ai tão querida ... - disse ele com ar de enjoado, o ar habitual.

- Sim...sim muito querida !

- Mas diz lá para onde é que vais?

Pensei cá com os meus botões se lhe havia de responder ou não seria a mesma coisa que pôr no painel dos recados que está por cima da máquina do café, ou ainda pior, seria descrever um intinerário ao qual depois seria acrescentado uma data de voltas no que resultaria algo parecido com uma ida a Faro passando pelo Porto...decidi então elucidá-lo:

- Olha, quando o carro sair da garagem, fazer a avenida e se aproximar da rotunda do Fórum vamos escolher "prá esquerda ou prá direita". E depois logo se vê onde vamos parar.

Sorrisinho matreiro do gajinho lá do outro lado da sala.

- Isto para quem tem carcanhol é muito simples...

Agora irritou-me de vez.

- Olhá lá, ó papuço, andas a espreitar os meus rendimentos ou quê? Deixa mas é de ser abelhudo, não tens queda para zângão! Vou fazer o último passeio, porque sei que nos próximos anos vou reviver as minhas passeatas, sabes muito bem o que para aí vem, não é? Não vemos ter dinheiro nem para armar a tenda na varanda. Compro um cartão memória de 8 gigas para a máquina fotografica vou-me entupir de fotografias, estás a perceber? Recordar é viver...!

- Mas tu tratas-te bem ... - respondeu ele a ver se eu me descaía com algum restaurante, hotel, pousada ...

- E o que é que tu tens a ver com isso? - (comando + print, agora é que esta coisa vai sar como deve de ser...)

- É pá, perguntar não ofende... (sorriso de mula).

- Mas pode ofender a resposta, por isso tem cuidado... seja Norte, seja Sul a algum lado vamos parar!

E ponto final que a conversa já estava a descarrilar como o orçamento do TGV, e porque ainda tenho muito que fazer antes de "correr as persianas da loja". Quero pôr-me a quilómetros das quatro paredes da rotina, abrir as janelas dos dias stressantes e todos iguais, desligar aquele objecto irritante que me buzina no ouvido todos os dias às 6:15 e que me faz levantar e ter aquele primeiro pensamento do dia que é já não ter paciência e energia e pachorra suficientes para ir trabalhar, mas tem que ser, porque tenho uma filha desempregada, uma casa para pagar e pão para comprar ... e que tudo isto vai ter um aumento de custo tão grande, mas tão grande!

Vou comprar mesmo um cartão memória brutal para a máquina fotográfica e quando regressar vou passar meses a compilar uma porrada de fotografias para, quanto tiver as primeira férias no próximo ano, as pôr a passar numa moldura daquelas xis-pê-tê-ós que andam agora aí a vender, pregar com ela na parede em frente ao sofá da sala...e fazer as minhas primeira férias em Powerpoint!

(comando + print ... ah, agora esta coisa saiu como eu quero!)



Publicado pela Patroa às 12:20 | Link da Fartura | Diga lá qualquer coisa! | Ler os Bitaites (2)

Quinta-feira, 14.10.10

Há 70 dias, chegou à nossa "aldeia global" a notícia da derrocada de uma galeria numa mina em S. José, no Chile, no insóspito deserto de Atacama. Estavam lá em baixo vários mineiros, dos quais não houve qualquer notícia durante 17 dias. Não se sabia se estavam vivos ou mortos, a cerca de 700 metros de profundidade. Os chilenos não desistiram, tinham que saber, tinham que os encontrar e regastar, vivos ou mortos. Pensou-se num plano, delineou-se e pôs-se em prática. Uma sonda com uma pequena câmara de vídeo foi descendo como que a tactear, até ao local que se conhecia como "Oficina", um refugio no interior da mina. Com sorte, alguém poderia lá ter chegado e encontrado um espaço seguro para sobreviver, tendo a esperança como único alimento espiritual e alguns poucos víveres. De repente, surge um rosto iluminado por um olhar brilhante de quem sentiu a esperança renovada e a alegria de poder dar a certeza a quem estava lá em cima de que, sim, lá em baixo estavam todos bem, "no refugio, todos os 33", lia-se no pedaço de papel que subiu colado à sonda. A partir desse momento, a convicção de todos quantos mudaram a sua vida para o acampamento "Esperança" era de que aqueles homens iriam ser salvos, que seriam novamente abraçados e beijados pelas famílias e amigos, que veriam novamente a luz do dia. O povo chileno pediu ajuda e conselhos, as ideias surgiram e nada foi descurado, e todos os riscos foram pensados de modo a serem minimizados, gizou-se um plano A, também existiam o B e o C, os mineiros tinham que renascer para a vida, o que temos de mais precioso.

De repente, um rosto!

Durante os 70 dias, dia a dia, aquela rejubilou com as notícias mais simples, por mais pequenas que fossem eram festejadas, pois sabia-se que eram passos, pequenos mas seguros, em direcção àquele dia tão desejado que afinal chegou mais cedo que o esperado. Finalmente, ontem, o primeiro mineiro chegou à superfície já passava da meia noite aqui, eram cerca das 4 de lá, no deserto, em S. José. E depois, até hoje de manhã, todos foram resgatados, quase sem parar, o "torpedo" Fénix desceu e subiu das entranhas da terra trazendo aquelas almas que acreditam que ressuscitaram, porque outras houve que lá em cima não desistiram. E foi sensacional o abraço do primeiro mineiro à sua mulher a ao filho, não havia mesmo as palavras necessárias para descrever a cena, era só vê-los e estava tudo dito.

Estamos bem!

Os Chilenos deram ao mundo um grande exemplo, a este mundo cada vez mais frio e mais ignorante dos valores da vida e do indivíduo. Quantos mineiros na China, por exemplo - porque decerto há maisem outros países - já morreram nas mesmas circunstâncias? Desconhecidos, abandonados, esquecidos, soterrados, para quê ir lá buscá-los se logo outros se arranjam para os substituir? "Houve derrocada, foi? Ora, então já estão enterrados!". E o "Kursk"? Os seus marinheiros foram condenados a uma morte lenta, dolorosamente sufocante, só porque a ajuda americana que desde logo se ofereceu para os retirar foi pura e simplesmente recusada? Americanos perto de um submarino nuclear russo? Isso é que era bom! Foi ao fundo, pronto, ficam lá e tudo caladinho, não se fala mais nisso. Esta frieza é chocante, deplorável, incompreensível.

Celebra-se a vida, a solidariedade, a esperança e a preserverança no Chile. Que bom saber que ainda existem esses valores em algum lugar desta terra. Por exemplo, em S. José, Copiapó, no deserto de Atacama.

 

Renasceram, já estão salvos!

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Publicado pela Patroa às 10:53 | Link da Fartura | Diga lá qualquer coisa!

Quarta-feira, 13.10.10

"O Bom Filho à Casa Torna".

Neste caso, será "a boa Patroa", "Patroa boa" à Roulotte volta? Não interessa. Adiante.

Andei que tempos a pensar se valeria à pena voltar a escrever, dei voltas e mais voltas à massa cinzenta, ponderei os prós e contras, li artigos de opinião sobre o que se escreve por aí na vertente do conteúdo e da forma, e fiquei apreensiva principalmente com um texto em que o autor dizia que o pior problema da sociedade moderna é estar atafulhada de perconceitos, intoxicada de lugares comuns, resumindo "as pessoas viciaram-se em esterotipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas, (...) todos têm opinião sobre tudo e não conhecem nada.(...) " (in ""A Obesidade Mental - Andrew Oitke").

Fiquei preocupada com esta opinião, confesso, fiz um "mea culpa" e fechei-me em copas, daí ter abandonado estas lides e ter renegado a carripana, pois com o pessimismo que me assaltava na altura achei que não valeria a pena estar para aqui a mandar bocas a torto e a direito sobre tudo e mais alguma coisa, ou seja, de acordo com o artigo que li decidi fazer "dieta mental".

Hoje parei a dieta. As saudades de dar uma opinadela ao que se passa, não passa e poderia passar foram avassaladoras, esta coisa de martelar nas teclas ao sabor dos pensamentos, do género só fazer a pontuação quando escrevo a última palavra, tem em mim um efeito de janela aberta quando me sinto demasiado sufocada pelo dia a dia. E pronto, voltei a casa!

Uma das frases que chamou a atenção no texto de que falei foi "as pessoas viciaram-se em esterotipos", porque me recordou uma das razões que me levaram a abandonar este blog: muita gente que por cá passou acreditou que eu era fartureira, que confeccionava e vendia farturas numa carripana velha pelas feiras e romarias do meu país. Bom, decidi mudar o "banner" que me era tão querido porque foi feito pela minha amiga Grilinha precisamente porque tinha quase diaramente um convite para participar em festas, pequenos eventos e certames a ... fazer farturas! Quantas vezes tive que dizer que não as faço e só as como?

Perdi-lhe a conta! Mas agradeço a ideia que me deram para quando me reformar!

 

 

(O artigo em questão "A Obesidade Mental - Andrew Oitke" pode ser lido aqui)


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Publicado pela Patroa às 12:09 | Link da Fartura | Diga lá qualquer coisa!

Segunda-feira, 06.07.09

Uma loira chegou ao hotel em Manaus, e como estava muito calor, ela abriu a janela. Só que começaram a entrar vários mosquitos.
Então, ela ligou para a recepção e reclamou:
- Boa tarde, estou com muito calor e com a janela aberta vários mosquitos entraram no meu quarto e estão-me incomodando.
- Se a Senhora desligar as luzes do seu quarto, eles irão embora, disse-lhe o recepcionista.
Ela fez o que ele disse e realmente eles se foram.
Depois de um tempinho, começaram a entrar vários pirilampos, e então ela tornou a ligar para a recepção reclamando.
E o recepcionista perguntou:
- Mas o que foi agora?
Ela responde:
- Não adiantou! Os mosquitos voltaram com lanternas!

 

Moral da estória:


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Publicado pela Patroa às 12:40 | Link da Fartura | Diga lá qualquer coisa! | Ler os Bitaites (2)

Maria Ventura, a Patroa

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Não as faço, só as como!

os mosquitos e a loira

como quem num dia de verã...

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muito obrigado

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